
Em Angola, quando saía de Luanda à descoberta da África inviolada, lembrava-me por vezes da minha rua, do prédio onde vivo, do escritório onde trabalho, da televisão que acendo e apago (e acendo e apago, e acendo e apago), do restaurante onde almoço, do cinema onde me abstraio, do café onde me despacho, do carro, da gata, do cacifo, da chávena, do ticket, das chaves. E dos amigos. E dos pais. De todos os elementos da minha magna vida diária.
Mas afinal, a dimensão da minha existência é mínima. Felizmente. Sobrevivo mais um pouco sempre que o descubro.

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