As cadeiras
Ao cabo de quatro meses de ansiedade, poucas noites bem dormidas e inúmeras actividades preparatórias, Marcelo Ferrer, Nuria Ferrer e o filho, cujo nome não me ocorre agora, cumpriram, passo a passo e com estupenda precisão alemã, a viagem de regresso.
Foram trinta e quatro anos de saudade e esforço, naquele país frio e distante que nunca soube compreender nem aceitar o espírito latino do casal. Nunca hão-de lá voltar. Quando chegou o dia do regresso, Marcelo, Nuria e o filho esperaram, nervosos, pela noite, desprenderam-se do chão, e, confiantes, colocaram-se perna ante perna, pesadas barras de metal, a caminho de casa.
Com um orgulho e júbilo desmedidos, Marcelo sabe agora, feliz, onde vai passar o resto dos seus dias. Com a família, no bairro La Latina em Madrid, dando assento a gente alegre como eles.
Foram trinta e quatro anos de saudade e esforço, naquele país frio e distante que nunca soube compreender nem aceitar o espírito latino do casal. Nunca hão-de lá voltar. Quando chegou o dia do regresso, Marcelo, Nuria e o filho esperaram, nervosos, pela noite, desprenderam-se do chão, e, confiantes, colocaram-se perna ante perna, pesadas barras de metal, a caminho de casa.
Com um orgulho e júbilo desmedidos, Marcelo sabe agora, feliz, onde vai passar o resto dos seus dias. Com a família, no bairro La Latina em Madrid, dando assento a gente alegre como eles.

Madrid, Janeiro 2007

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