quarta-feira, janeiro 24, 2007

Reconstituição histórica

Que bem sabe ir conhecendo pessoas de todo o mundo.

Quando olho para um mexicano vejo as memórias de espanhóis lutando com incrédulos aztecas, vejo Montezuma contra Cortez, a pólvora antiga contra a seta e a pena. Conheço um chinês e visito aldeias filhas de uma revolução cultural que esvazia - um vazio em honra do líder e da grande nação. Apresentam-me uma libanesa e navego num barco fenício, negociando com os maiores comerciantes da história, em cidades que já não existem. Apresento um russo a uma ucraniana e assustam-me a fome, o frio, a morte que ele sabe que provocou nela. Descrubo Napoleão em cada francês, Gandhi em cada indiano, Nefertiti em cada egípcia, e às vezes, um assustado Abraham Lincoln em cada americano.

E eu, como já não me surpreendo comigo próprio, acerto o despertador para a hora em que nasci de modo a que acordar se transforme também numa reconstituição histórica.