A rua dele (ou Praga, de novo)
É com bastante ansiedade que Pedro vai à sua rua pela última vez. “Última vez” soa sempre demasiado dramático, mas assim é. Durante os treze anos que foi senhor daquele espaço, todos os dias visitou os seus dependentes. O ritual cumpriu-se religiosamente, todas as manhãs. Tratava-se afinal, de dar o seu contributo para o bem-estar daquela gente. A equipa do restaurante, os residentes das casas, a dona da papelaria, os visitantes do jardim. Enfim. As responsabilidades de um dono.
Agora que se prepara para assumir a sua nova rua - Praga é uma cidade mais fria -, Pedro preocupa-se com o futuro daqueles que, com o tempo, soube conquistar. A verdade é que, ainda que tentem dissimular a obediência cega com que lhe seguem, nunca haverá melhor que Pedro para aquela rua. Teme pelo novo dono e pelas distâncias que ele não saberá vencer. E claro, teme também a saudade. Paciência. Por vezes, é o que te diz Pedro, é preciso saber abdicar. Mas eu acho que se não fosse por Praga…
¡Buenos dias! ¿Lo de siempre, niño? ¡Oh no! ¿Praga, otra vez?
- mmm
Madrid, Janeiro 2007

0 abraço(s):
Enviar um comentário
<< Home